14 feb. 2007

Memória,Esquecimento e Ações no Presente


Memória ,Esquecimento e Ações no Presente

Em um momento contundente no qual a mídia enfatiza sobre direitos humanos no país e na esfera internacional, não poderia calar-me a um evento realizado a uma semana atrás em São Paulo - A cerimônia religiosa do Dia de Recordação das Vítimas do Holocausto A menção ao referido encontro firma-se a sobre uma dita frase expressa na Torah,o livro sagrado judaico:

“Recorda os dias do passado lembra os de geração em geração“- Devarim

Não poderemos aceitar a discussão, se foram seis milhões ou cinco milhões ou 999 judeus queforam massacrados. Ainda que tivesse sido apenas um judeu vítima do Shoá (Holocausto), nós não deveríamos estar rediscutindo a História. Temos que afirmar, em alto e bom som, que nunca mais haverá Holocausto na face do nosso planeta. O Holocausto ainda tão presente em nossa memória não pode ser esquecido tal como em nosso dia- dia não podemos emudecermo-nos perante as milhares de vitimas que morrem anônimas em massacres no Sudão,ou os outros milhares que morrem diariamente vítimas da fome,intolerância e exclusão seja América Latina ,na África,nos guetos presentes na Europa ou no continente asiático.

Cabe frisar que nesta cerimônia estiveram presentes mais de 1.000 pessoas dentre as quais a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ,sua esposa Marisa , José Serra, Jacques Wagner, Gilberto Kassab; o presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Dom Geraldo Magela ; além dos embaixadores de Israel, Tzipora Rimon; dos EUA, Clifford Sobel, e da Áustria, Werner Brandstetter; do vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman; da assessora do presidente Lula, Clara Ant, e dos ex-ministros Claudia Costin e Celso Lafer.

Na sinagoga , Lula frisou: “Nunca poderemos aceitar a negação do Holocausto”.Ele recebeu também o “Livro de oração” e o “Pirkei Avot” (“Ética dos Pais”) das mãos de Dora Lucia Brenner e Abraham Goldstein, presidentes das duas entidades promotoras do evento, a CIP e B´nai B´rith do Brasil. Goldstein destacou a importância da educação no combate ao negacionismo: “Não acreditamos que um ensino de qualidade possa prescindir do conhecimento e dos valores da História, incluindo os ensinamentos do Holocausto. Assim, solicitamos que seja incluído no currículo do nosso programa básico de ensino a educação multidisciplinar sobre o Holocausto”. Lula prometeu levar a reivindicação ao ministro Fernando Haddad, da Educação:“No século XXI nós não podemos aceitar a negação do Holocausto como um fato histórico. Também não podemos aceitar aqueles que negam o massacre de seis milhões de judeus. Cada vez que prestamos homenagem às vitimas do Holocausto, nós fortalecemos as forças que irão prevenir que um horror igual possa se repetir”.
O rabino norte-americano Israel Singer, diretor do Congresso Judaico Mundial, elogiou a atuação de Lula contra o anti-semitismo e pediu que “ensine ao mundo o caminho para a liberdade”. Já o rabino Henry I. Sobel, presidente do Rabinato do CIP, destacou que a santidade da vida humana continua sendo tragicamente desprezada. “Os 62 anos desde a libertação de Auschwitz não diminuíram a necessidade de recordar. O racismo e a xenofobia não morreram, o genocídio e a purificação étnica aos grupos étnicos ainda ferem e envergonham a humanidade. O ódio religioso e a bestialidade do terror matam a sangue frio milhares de pessoas”. Nas palavras do próprio presidente fica tácita sua ênfase a luta contra a discriminação e racismo,não só abarcando a questão do anti-semitismo,mas acompanhado da nossa rica formação étnica, contra toda forma de discriminação étnica e social.

“É, realmente, uma honra participar desta solenidade na sede da Congregação Israelita Paulista, uma organização que existe há mais de 70 anos, que nasceu com o intuito de servir de refúgio e abrigo a milhares de judeus que buscaram no Brasil a paz que lhes foi tomada pelas perseguições em seus países de origem.Ao me pronunciar aqui, nesta sinagoga, não posso deixar de agradecer a Deus pela oportunidade que me deu de governar um país e um povo de profunda vocação democrática. Em sintonia com essa vocação, e na qualidade de presidente da República, tenho investido para aprimorar, cada vez mais, mecanismos que impeçam a proliferação da discriminação, da intolerância e do preconceito contra a comunidade judaica ou qualquer outra comunidade.
Nosso País tem boas leis. O racismo e o anti-semitismo são crimes inafiançáveis. Mas é claro que a lei não é suficiente para impedir o aparecimento de anti-semitas, racistas, intolerantes e preconceituosos. A lei nos dá, sim, a garantia de poder puni-los.Por isso, é fundamental a formação de um escudo de proteção contra esses crimes, formado pelas instituições, práticas e organizações democráticas da nossa sociedade. O governo vem se empenhando para fortalecer esse escudo. A sociedade tem que estar preparada para corrigir as eventuais falhas do nosso governo(...)A comunidade judaica, toda e qualquer comunidade, grupo étnico ou religioso, tem total garantia do nosso governo. Duas Secretarias Especiais, com status de Ministério, ligadas diretamente à Presidência da República, têm sua atuação principal voltada para a defesa dos direitos humanos e a promoção da igualdade racial. A primeira é a própria Secretaria Especial de Direitos Humanos, comandada pelo nosso companheiro Paulo Vannuchi(...)A segunda é a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, que conta, no seu Conselho, com a senhora Anita Schwartz, representante ativa da Conib, a Confederação Israelita Brasileira. Em resumo, todo o Brasil e todo o governo estão orientados a agir sem tréguas contra qualquer forma de discriminação e de intolerância.Reiterei isso, no primeiro dia deste ano, quando diversas representações da comunidade judaica estiveram em Brasília, prestigiando a minha posse.

Cabe frisar que as resoluções dos grandes problemas mundiais, como as persistentes desigualdades econômicas e financeiras entre as nações, o protecionismo comercial dos grandes, a fome e a inclusão dos deserdados, a preservação do meio ambiente, o desarmamento e o combate adequado ao terrorismo e à criminalidade internacional não evoluíram tanto quanto seria preciso, ou seja, a paz e a democracia ainda estão ameaçadas em muitas partes do mundo.Nesse sentido, foi muito importante que a ONU tenha instituído, a partir de 2006, o Dia Internacional de Recordação das Vítimas do Holocausto. Melhor ainda, foi a Assembléia Geral da ONU ter aprovado, na semana passada, a Resolução que condena, sem nenhuma reserva, qualquer negação ao Holocausto. Essa mesma Resolução pede que todos os Estados membros rejeitem, sem reservas, qualquer negação do Holocausto como fato histórico, seja no todo ou em parte, e que condene, também, qualquer atividade que tenha esse fim. O Brasil foi co-patrocinador dessa Resolução, aprovada por consenso com a presença de um número expressivo de países. Cada vez que rendemos homenagem às vítimas do Holocausto, estamos ampliando as forças para impedir que esses horrores se repitam. Aos que foram assassinados, aos que sobreviveram, aos que acolheram os sobreviventes, aos que sublevaram nos campos de concentração e aos que resistiram nos guetos, a todas as vítimas do fato. Esses heróis não lutavam por si próprios, mas para salvar a honra de um povo inteiro, para dar um exemplo de resistência à toda a Humanidade. E cada palavra de repúdio e de condenação a um anti-semitismo e à intolerância, cada esforço para se contrapor às ofensas e agressões, cada gesto de solidariedade em favor dos ofendidos, tudo isso constitui o elo mais forte que nos une às vítimas do Holocausto. No século XXI, nós não podemos aceitar a negação do Holocausto como fato histórico. Não podemos permitir que Holocaustos perpetuem à humanidade.

O que nós precisamos também discutir, no século XXI, é que, ainda que tivesse sido apenas um judeu vítima do Holocausto, nós não deveríamos estar rediscutindo a história. Mas deveríamos assumir o compromisso, enquanto cidadãos defensores dos direitos humanos, cidadãos defensores da democracia e cidadãos defensores da convivência democrática na adversidade, de dizer ao mundo, no século XXI, ao invés de discutir se houve ou não Holocausto no século XX, nós temos que afirmar, em alto e bom som, que nunca mais haverá Holocausto na face do nosso planeta. Cabe abrirmos os olhos para nosso redor e observar ainda que em nossa sociedade dita plural, a participação ainda não é igualitária a todos. Avanços estão sendo tomados via medidas de inserção,mas ainda assim a discriminação e privilégios abraçam a uns em detrimentos de outros. Isto num exemplo próprio de país miscigenado e com grande população afro descendente, mas o qual a exclusão social,mas sobretudo étnica, resiste, e uma vez mais, como cidadãos conscientes devemos estar atentos a não consolidação de sistemas que à tempos segregam e sectarizam os grupos.
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