6 dic. 2008

Relações Brasil-Irã-Israel (parte II)

Mishná de Pirke Avot 3:2.O Rabino Chanina,séculos antes de Rousseau,dizia:"Reza pela prosperidade daqueles que estão à frente do Estado,pois se não houver temor ao governo,os homens vão devorar uns aos outros".

Shavua Tov
http://vidasmarranas.blogspot.com/

“O Brasil nunca venderá seus princípios por negócios. O Brasil foi, é, e sempre será,contra qualquer posicionamento político, de qualquer nação, que questione o Holocausto ou a existência do Estado de Israel”

Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores do Brasil


Não é ser tendencioso, é expressar minha opinião. Muito correu o disse e me disse, e enfim, a algum tempo que parte da comunidade tem questionado o certo vácuo nas relações Brasil - Israel,não obstante, se esquecendo que parcerias se montam através de interesses diplomáticos e recíprocos ,causou certo incomodo , que tomaram dianteira para alfinetar o Governo,quanto a conversações no Extremo Oriente , mas na qual Israel não fora papel principal, senão ,aparentemente,apenas ' mais ' para a diplomacia tupiniquim ao que levou, de modo não menos justo , uma carta da CONIB a senadores e parlamentares para tratar da questão, mais especificamente quanto a relação Brasil- Irã...

Na referida correspondência, a CONIB expõe ao Itamaraty a preocupação da comunidade judaica brasileira com a intensificação das relações diplomáticas do Brasil com o Irã, em razão da incompatibilidade do regime político e democrático vigente em nosso País com aquele presidido por Mahmoud Ahmadinejad que, além de negar o Holocausto, também rejeita a existência do Estado de Israel, Estado soberano e reconhecido pela ONU, de cujos tratados e convenções o Brasil é signatário.

Resta a esperança na capacidade diplomática do Presidente Lula, fiel e fraterno amigo da comunidade judaico-brasileira e admirador do Estado Judeu, no intuito de intervir junto ao governo do Irã, contra as ameaças propaladas por Ahmadinejad


Chegou a hora da esquerda brasileira que tem considerável representatividade política junto a comunidade judaica, cita-se aqui o intelectual Paul Singer, Clara Ant, André Singer (porta voz da presidência da Republica),Jacob Gorender, o ministro da justiça Tarso Genro, o Governador da Bahia Jacques Wagner,o ministro da economia Guido Mantega, dentre outros tantos e mostrar que ,para esbulhar qualquer reação conservadora e de pejo anti Esquerda de que nem toda Esquerda é simplesmente ,por pirraça, partidária de qualquer nacionalismo anti israelense,e sim, também versa por negociações em favor da paz no Oriente Médio.E e preciso recuperar o legado da atuante esquerda judaica que desde a leva de imigrantes anos 30 trouxera ao pais , militancia que ,ora, na ditadura de Vargas, quanto na dos anos 60-70 , em muito foi ativa.E agora, reenvio a esta lista uma audiencia do ministro Celso Amorim, tratando desta questão, Brasil- Irã.

“Audiência Pública com o Ministro Celso Amorim, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, da Câmara dos Deputados, em 03/12/2008, às 10:00
(Texto Editado pela NRJ)



Deputado Marcelo Itagiba ao chanceler Celso Amorim:

É um prazer poder dialogar com Vossa Excelência. Como eu não gosto que as coisas fiquem apenas unilateralmente, e eu recentemente, fiz um discurso bastante veemente contra a visita de Vossa Excelência ao Irã, tendo em vista que o presidente daquele país propugna pela extinção do Estado de Israel, bem como nega a ocorrência do Holocausto, e tendo em vista que o Brasil atuou definitivamente em duas frentes para que primeiro a Europa fosse libertada através da Força Expedicionária Brasileira durante a 2ª Guerra Mundial, e portanto vencer o Nazi-Facismo, bem como foi uma das forças propulsoras da partilha da Palestina e do reconhecimento do Estado de Israel causou muito desconforto, não só neste parlamentar mas na comunidade brasileira judaica a visita àquele país.

Ao meu entender me parece importante que Vossa Excelência pudesse explicar essa visita, e acreditou eu, reafirmar que o Brasil, de forma alguma concorda com essa manifestação, porque ela contraria os direitos humanos, contraria o direto de existência dos povos, e me parece que essa não seria uma faceta hoje, pela tradição e pela qualidade dos representantes da diplomacia brasileira, ter como parceiros ou como aliados pessoas que tem esse tipo de pensamento. Como fiz essa crítica, e Vossa Excelência aqui não estava, acho importante ouvir a opinião, não só de Vossa Excelência, mas do país em questão...

Ministro Celso Amorim:

Com relação a questão do Irã, deixe-me começar pela parte fácil: estou de pleno acordo com Vossa Excelência, e repito aqui, tranqüilamente, que condenamos as declarações que foram feitas no passado pelo presidente Ahmadinejad, sobre a questão da eliminação do Estado de Israel.


Nós condenamos as manifestações feitas sobre a não existência do Holocausto; mais do que isso: o Brasil é co-patrocinador da Resolução sobre o Holocausto nas Nações Unidas, embora muitos outros países, independentemente do Irã, não gostem disso. Mas nós somos co-patrocinadores. Então, essa é a nossa posição, é algo fora de cogitação; o Brasil se orgulha de ter uma situação em que a comunidade judaica e a comunidade árabe convivem como brasileiros, com amizade e etc...

O segundo ponto que eu mencionaria, é: se você tem relações com um país não quer dizer que você tem que concordar com tudo o que ele diz. Nós temos interesses de variadas naturezas: inclusive comercial. Nós chegamos a exportar, o que não quer dizer que nós estamos vendendo nossas posições por interesse, e eu tenho muito prazer em repetir em frente a Vossa Excelência, das câmaras de TV e à imprensa: condeno a declaração que foi feita há algum tempo atrás, e espero que ele tenha mudado de idéia com relação à extinção do Estado de Israel e o seminário sobre a não existência do Holocausto. Isso não há a menor dúvida e nós não mudamos em nada a nossa posição. Agora, isso não nos impede de ter relações com os países. Se nós só fossemos ter relações com os países com os quais concordamos em tudo nós iríamos ter muito poucas relações.

Nós sabemos que muitas coisas que o Brasil condenou, de forma veemente, não nos impediram de ter relações com países em questão. Agora, além do interesse comercial, eu diria que o Irã, queira-se ou não, é um ator importante no Oriente Médio. Eu vou lhe dizer francamente, pois não tenho nenhuma informação secreta, o que é decorrência de análise: o próprio Estados Unidos estão conversando com o Irã, sobre a influência do Irã no Iraque, e estão conversando com o Irã sobre a influência do Irã no Afeganistão. Então, conversar com um país não significa que você concorde com ele. O Irã é influente no Oriente Médio. É um ator no Oriente Médio. O Irã é um país de uns 70 milhões de habitantes e faz muitas coisas com as quais não estamos de acordo, ou fala coisas com as quais não estamos de acordo.

A melhor maneira, creio eu, de um país como o Brasil contribuir para a paz não é isolando um país desses. Claro que haverá momentos que ocorram coisas tão dramáticas que você se sinta na obrigação de tomar determinadas atitudes, como nós tomamos na condenação dessas declarações infelizes e desse convite para um seminário infeliz, na nossa opinião. Agora, dito isso, o tema que mais aflige o mundo, hoje, que é o problema da possibilidade de o Irã vir ou não a ter uma arma nuclear, acho que o Brasil pode contribuir para um diálogo nesse sentido, como há outros países, como a Suíça que contribuíram. A Suíça contribuiu para que houvesse um encontro em Genebra, que foi, aliás, a primeira vez desde o episódio daquele seqüestro; da ocupação da Embaixada Americana, que um alto funcionário do governo se encontrou com um alto funcionário iraniano. Acho que tem uns 6 meses, mais ou menos; talvez 5 meses. Então, manter um diálogo com um país não quer dizer que se concorde com ele. Não que você vá tê-lo como aliado. Mas você pode dialogar e é o que estamos fazendo com muitos países.”

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