28 abr. 2009

Yam Shel Dmaot -Canto Sefardita.

"Recorda os dias do passado,lembra-os de geração em geração".Devarim





Original de 2005.Reescrito em Abril ,vésperas de Pessach de 2009 ,ano judaico de 5769 em alhude a uma discussão em grupo.
ימלא פי תהילתךכל היום תפארתךאל תשליכני לעת זיקנהככלות כוחי אל תעזבני
(As vesperas de Yom HaAtzmaut).
I Yam Shel Dmaot -o Mar de lagrimas
por A.A.

"Duro é ser pobre e esquecido
Nesta terra onde a seca assola,
Onde transpor as fronteiras ,
Torna-se a cada dia mais difícil

Tomaram -me a casa
Minha casa era o mundo
Mas nela não repousava meu espírito
Estou ora nas selvas n’uma espera
Ora dizem me do Mediterrâneo:
“Saiam de meu território”
Sou o estranho

Ah, Yerushalaym shel ZeAhav
Que fosses em ti ainda que a continuar peregrino em Terra Prometida

Mas que além deste rio estivesse
E não definhando tão perto neste deserto
Onde o que me dói mais
Não é a minha sede
E sim contemplar a terra tão querida
E jamais te-la ao meu alcance.

Amargor dos meus dias ,
O vento assopra
Mas não há descanso

Fatigam-me os dias
E percebo só o quanto estou distante.

Entre outros sou mais estranho
Em ermos nos quais esquecido
Clamo de noite para os céus
Temendo o que virá no futuro
E clamo durante os dias
Para que ao menos me surja algum alento

E vejo descer a aurora
Mas o que me aguardará no novo dia?
Yerushalaym Shel ZeAhav

Duro não é ser pobre e sim insultado
Nesta terra onde secas assolam,
Nesta eira onde a lei não existe
A mingua de qualquer pudor
E a violação ao que é de Direito
Acontece ao dia e a noite.
Todos os dias.

Terra ignota
De gente ignara
El maamar”


II

“Eu tenho muitos irmãos
Eles me calam
Ate às vezes mal me dizem
Mas bem me querem

Eu tenho muitos irmãos
Compreenderem-me não precisam
As enciclopédias seculares me afasiam
A Haskalah deixo que digam –nas
Minha memória do mellah
Frente a ma’abarot
Volto a sentir-me estranho
Não escuto o que eu mesmo melodio
Olho para mim e me pergunto
Mas não compreendam –me
Estou num canto...

É esta paúra
A pele de cacto
A mão marcada por calos ,graxa

Eu tenho muitos irmãos
Sou estúpido e do passado
Mas eles m’abraçam

Hejaltzu
Ahavat
Ahavat
Yerushalaym shel ZeAhav

Eu tenho muitos irmãos
Sou estúpido e do passado
Mas eles m’abraçam”


A.A

Al maamar- Idéia de conflito, no caso com as populaçoe árabes onde habitavam
Haskala -‘Iluminismo’ judaico do séc XVIII
Hejaltzu Ahavat- alhude ao 'Amor de Israel'.Uma ideia de 'Todos judeus como iguais'
Mellah -o’shetlel’ do sefardita
Maabarot os campos de casas de zinco para recepcionar os sefarditas que eram buscados nos paises arabes


"O Outro metafísico é outro de uma alteridade que não é formal, de uma alteridade que não é um simples inverso da identidade, nem de uma alteridade feita de resistência ao Mesmo, mas de uma alteridade anterior a toda a iniciativa, a todo o imperialismo do Mesmo; outro de uma alteridade que não limita o Mesmo, porque nesse caso o Outro não seria rigorosamente Outro: pela comunidade da fronteira, seria, dentro do sistema, ainda o Mesmo. O absolutamente Outro é Outrem; não faz número comigo. A coletividade em que eu digo ‘tu’ ou ‘nós’ não é um plural de ‘eu’. Eu, tu, não são indivíduos de um conceito comum." (extraído de LEVINAS, E. Totalidade e infinito

Diversas levas de imigrantes sefarditas:fotos judeus do Iemen & Norte de Africa


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