3 abr. 2009

A lição da paz de três décadas com governo Egipcio

*Reenviado por Ricardo Abrãao
Lições de três décadas de paz
Publicado no Jornal “Folha de São Paulo” de 26 de março de 2009

Por: Giora Becher, Embaixador de Israel no Brasil


***A opinião do blog a respeito dos artigos reenviados, neste caso se dará no comentários.

HOJE, 26 de março, comemoramos o 30º aniversário da assinatura do primeiro acordo já assinado entre Israel e um país árabe. Em 1979, os líderes de Israel, Begin, do Egito, Sadat, e dos Estados Unidos, Carter, deram um aperto de mão que prometia mudar o Oriente Médio.

Apesar de essa promessa ainda necessitar ser totalmente cumprida, a data apresenta uma oportunidade de honrar essa realização histórica e examinar alguns princípios que levaram ao sucesso daquele processo de paz. Hoje, quando a paz parece um objetivo difícil de ser alcançado, é importante lembrar o passado.

Os esforços de Israel para obter a paz precederam o próprio estabelecimento de Israel, que, desde seus primeiros dias, sonha em viver em paz com seus vizinhos. Com a visita de Sadat a Jerusalém (1977), essa visão finalmente teve uma chance de se tornar realidade. Para alcançar a paz com o Egito, Israel tomou medidas sem precedentes e devolveu o Sinai, correspondente a 91% da área ganha na Guerra dos Seis Dias, território três vezes maior que sua área atual.

Naquele local, Israel havia construído cidades e aldeias agrícolas com mais de 7.000 habitantes, hotéis, instalações militares e um campo petrolífero, cuja entrega significou o abandono da única chance de se tornar independente no campo da energia. Na era cínica da atualidade, é difícil imaginar a euforia com que Israel saudou a visita de Sadat. Mesmo durante os meses de difíceis negociações, nós nunca perdemos o foco de nosso tão ansiado sonho.

Hoje, a mesma esperança existe, mas experiências amargas têm nos tornado mais cautelosos. Em 2000, nas negociações de Camp David, os palestinos tiveram a chance de finalmente terminar o conflito, mas Arafat rejeitou as propostas e lançou a segunda Intifada, que custou milhares de vidas israelenses e palestinas.

Naquele mesmo ano, Israel saiu completamente do Líbano para ser recompensado, em 2006, com 4.000 mísseis do Hizbollah lançados contra suas cidades no Norte. Em 2005, fez o desengajamento unilateral de Gaza, mais uma vez retirando famílias israelenses de seus lares. Nós tínhamos a esperança de que esse passo daria aos palestinos uma oportunidade de pacificamente plantar as fundações de seu Estado. Em vez disso, testemunhamos o crescimento do extremismo do Hamas e de disparos de foguetes contra o Sul de Israel.

Apesar desses acontecimentos, o governo de Israel sempre terá o apoio da população para fazer a paz, desde que os israelenses acreditem que o resultado será a paz genuína. Sadat, por ser o primeiro líder árabe a reconhecer Israel, perdeu sua vida. Anos depois, o primeiro-ministro de Israel Rabin deu sua vida pela causa da paz iniciando o processo de Oslo. Esses líderes sabiam que sua responsabilidade em relação ao futuro de seus povos era o mais importante.

Israel sempre fará a paz quando o outro lado decidir abandonar o caminho da violência e seguir o caminho das negociações. Durante o processo de Oslo, apesar de suas promessas, Arafat nunca abandonou a violência. Esse foi o motivo principal pelo qual o processo de paz com os palestinos falhou durante sua liderança e a verdadeira explicação de sua recusa em aceitar as propostas feitas por Israel. Da mesma forma que Sadat foi assassinado por fundamentalistas islâmicos por fazer a paz com Israel, hoje em dia os radicais estão tentando acabar com qualquer chance de paz com os palestinos.

O Hamas, apoiado pelo Irã, rejeita todas as negociações de paz por uma questão de princípios e continua comprometido com seu objetivo de destruir Israel, sendo assim uma barreira para qualquer chance de paz, condenando os palestinos a um futuro de conflito constante e o domínio do fundamentalismo. As negociações diretas têm provado ser a garantia para o progresso. Os tratados de paz com o Egito e a Jordânia são a prova de que os líderes árabes desejam conversar diretamente com Israel. A paz é possível. A pressão externa não influencia as políticas de Israel em relação à paz. Ainda assim, quando existe uma chance para a paz, a pressão interna é mais do que suficiente. Para uma democracia como Israel, a confiança pública nas negociações de paz é crucial.

Os israelenses acreditam que a paz verdadeira pode ser obtida com os palestinos e outros vizinhos. Apesar das presentes dificuldades, os israelenses sonham que logo outro líder israelense se levantará ante o mundo e repetirá as palavras de Begin na cerimônia de assinatura há 30 anos: "Não mais guerra, não mais derramamento de sangue, não mais luto, paz sobre vocês, "shalom", "salaam", para sempre".
Entrevista - Giora Becher: 'Paz está acima da política partidária
Publicado no Jornal “O Estado de São Paulo” de 13 de março de 2009

Por: Roberto Lameirinhas

Entrevista -
O sr. crê no avanço no diálogo com os palestinos, mesmo sob um governo israelense formado por partidos de ultradireita e religiosos?


O objetivo da paz tem pouco a ver com partidos, mas é um desafio do povo israelense há 60 anos. Não há discordância na sociedade de Israel sobre a necessidade de paz - paz com segurança e justiça. As divergências são sobre o caminho a perseguir para alcançá-la. Por isso, não tenho dúvidas de que chegaremos a uma fórmula para desbloquear esse diálogo.

Até que ponto Israel estaria disposto a ceder para obter um acordo definitivo com os palestinos?

Há pontos sobre os quais evidentemente estaríamos prontos para fazer concessões para chegarmos à paz. Creio que tudo está sobre a mesa, mas não acho que seria oportuno, em meio a negociações, expor esses pontos antecipadamente. Já houve conversas antes sobre temas como os assentamentos da Cisjordânia, Jerusalém Oriental, etc. Israel pode voltar a conversar no futuro.

O sr. acredita num acordo com a Síria em curto prazo?

Ainda não sei bem o que pode significar a expressão "curto prazo" para nós. Para mim, esses últimos 60 anos foram um prazo curto (risos). Mas uma paz com a Síria deve passar necessariamente pelo fim do apoio a organizações terroristas, como o Hezbollah e o Hamas, que pregam a destruição de Israel e têm bases em Damasco. Mas acredito no sucesso de um processo de paz com a Síria, apesar de não saber quanto tempo ele pode durar.

Como o sr. vê a disposição do governo dos EUA de abrir canais de diálogo com Irã e Síria?

Bem, são coisas diferentes. No caso da Síria, apesar dos apoio que o país dá a grupos terroristas, nós estamos prontos para favorecer essa aproximação. Já no caso do Irã, o certo é que os EUA compartilham de nossa posição de que eles não podem ter armas nucleares. Qualquer aproximação deve levar isso em conta.

Israel é o único país a ter um acordo comercial com o Mercosul. O sr. teme que a entrada da Venezuela no bloco complique esses laços?


Espero que não. Nossas relações com o Mercosul sempre foram excelentes e os laços com a Venezuela, historicamente, sempre foram bons também. O que esperamos é que a política venezuelana para Israel mude (O presidente Hugo Chávez expulsou o embaixador israelense em resposta ao ataque à Faixa de Gaza, iniciado em dezembro). Nos preocupam os últimos ataques à comunidade judaica venezuelana e acreditamos que o discurso do presidente Chávez dá vigor a essas ações antissemitas.

1 comentario:

Anónimo dijo...

ate bom texto do embaixador, mas esqueceram de muitas coisas

aqui mesmo no vidas marranas ja li muita coisa que pode complementar o que o embaixador esqueceu de tratar.e bom mencionar so o lado bom da coisa,mas que tal falar dos check points?e de gaza?paz?somente quem tem financiamento belico e ganha dinheiro com esta, seja terrorista, exercitos que nao a quererão.mas falar de paz e facilimo, dificil mesmo e querer tomar atitudes que levem ,possibilitem o alcance da mesma.

nossas lideranças israelenses adoram falar bonito e falsamente claro.ate bibi quer a paz , ate o lieberman...mas como eles a querem, sufocando, tomando espaços e suplantando a outros...

bem ,o embaixador nao iria falar mesmo destas coisas...

uma vez mais chag sameach neemiah...o blog deu uma mudada...ficou bom este formato.abraço.se passar em sp pode entrar em contato, seria bom falar com vc e organizar o ikuf judaico

erlon.