23 ene. 2009

Porque o Brasil não deve extraditar Cesare Battisti

Depois que o governo brasileiro, através do ministério da justiça resolveu conceder refúgio político a Cesare Battisti foi criado um verdadeiro lenga-lenga na grande mídia e na blogosfera . Aproveitadores de plantão fazem um só coro contra a decisão soberana do país e usam o fato para atacarem de alguma forma o Governo.

Com frases feitas e as babaquices de sempre, os urubus oposicionistas querem que o país rasgue a Constituição, jogue a soberania no lixo e faça a vontade do tal de Giorgio Napolitano, presidente da Itália, que deveria era estar cuidando do seu país e não dando palpite no Brasil.O governo brasileiro está certíssimo por que amparado pela Constituição, que prevê o asilo político em casos como este, não pode e não deve jamais ceder a imposições de outros países. Nenhum "zé mané" italiano, americano, europeu ou seja lá quem for, possui direito de vir dá pitacos em nosso país. Não somos marionetes de ninguém! Aqui temos presidente, leis e nossa soberania precisa ser respeitada. Não precisamos de palpites de italianos e de nenhum outro povo. Quanto aos urubus e aproveitadores da mídia nacional, esses nós já conhecemos.

Gente pequena, sem escrúpulos e que na verdade só fazem o jogo dos seus patrões.A imprensa oposicionista: Veja, Globo, Folha de São Paulo e cia não iriam mesmo perder uma oportunidade dessa para atacar o governo São ridículos e irresponsáveis. Mas o governo não deve ceder às pressões de ninguém. Quanto ao tal Sr Giorgio Napolitano, que este vá mandar na Itália, porque aqui, quem manda são os brasileiros.

Existem momentos em que uma decisão da Justiça brasileira pode transmitir ao mundo uma mensagem de serenidade, equilíbrio e ponderação. Condenado à revelia à prisão perpétua, na Itália, por quatro crimes dos quais nega ser o autor, Cesare Battisti tinha se beneficiado, na França, de uma decisão do presidente Mitterrand contrária à extradição de antigos militantes revolucionários italianos. Julgando-se em lugar seguro, depois de ter fugido para o México, onde sobreviveu com pequenos empregos, Battisti começou ali a escrever livros policiais, talvez obcecado pela sua própria história de foragido – uma espécie de Jean Valjean italiano perseguido todo tempo por um obsessivo Javert.

Entretanto, o fim do governo Mitterrand, pos fim à sua anistia política. Um novo pedido de extradição pela Itália acabou sendo acatado pelo governo francês de Jacques Chirac. Não querendo ser extraditado para a Itália e ali passar o resto da vida na prisão, Cesare Battisti retomou sua vida de foragido. Na sua defesa, no julgamento da extradição, Battisti, além de negar os crimes, destacou a desumanidade da pena – "o que será de minha mulher e minhas filhas, que não poderei mais ver e nem sustentar ? Na verdade, serão elas também condenadas comigo".

Além da questão humanitária, pois os crimes dos quais é acusado ocorridos no começo dos anos 70, normalmente já teriam sido prescritos, os crimes dos quais é acusado fazem parte de uma outra época da história política européia .Essa página política, com repercussões também no Brasil, foi encerrada e revista. Tanto os que se envolveram em atos de violência como os ideólogos se reconverteram em partidários de uma lenta mas pacífica evolução social pelo mecanismo democrático.

Não se poderia condenar hoje o cineasta Fernando Solanas, cujos filmes Tango do Exílio e El Sud são de extrema poesia, por ter feito o revolucionário La Hora de los Hornos, ainda sob o entusiasmo da revolução cubana e do sacrifíco do Che Guevara. Todos nós viramos as páginas. O Cesare Battisti de hoje nada tem a ver com o dos anos 70. A pena não pode ser só vingança e, no seu caso, existe sua negativa de não ter cometido os crimes dos quais é acusado.

Além disso, o Brasil anistiou todos quantos participaram dessa época, durante a ditadura militar. Uma anistia que beneficou também os profissionais da tortura, que não eram movidos por nenhum ideal de mudar o mundo e justiça social. Fazer exceção a esse princípio já adotado no nosso País seria um contrasenso e uma injustiça. Mesmo porque o governo brasileiro de hoje tem muitos militantes desse passado, cuja vida não é de foragidos.

Fora isso, na análise dessa situação, se deve tomar em conta que a prisão de Cesare Battisti foi obra do atual candidato à presidência da França, Nicolas Sarkozy, cujas declarações contra os estrangeiros e criação de um ministério da Identidade Nacional fazem lembrar perigosos slogans dos anos 30. Naquele época eram os judeus, hoje na França os perseguidos são os emigrantes árabes. Sarkozy com seu golpe eleitoral, põe em dúvida a própria honorabilidade da França, pois o presidente Mitterrand tinha prometido, em nome da França, encerrar esse capítulo.

O Brasil não deve ser cúmplice de uma jogada eleitoral da direita dura francesa que espera ganhar votos entre o eleitorado da extrema-direita com a prisão do antigo revolucionário. E Tampouco dar ouvidos aos direitistas tupiniquins.

Parabéns Tarso Hertz Genro.

6 comentarios:

Anónimo dijo...

concordo

o Brasil quer fazer uma media ,ate por que o que interessa mesmo e a mediaçao dos Eua e Uniao Europeia.

quanto ao Tarso ser judeu eu hnem sabia. ele infelizmente nem se identifica como judeu.nem proveito politico para ajudar na questao ele faz.

e dos ministros ele e um dos melhores.fico surpresa de saber que tem dos nossos no governo. não concordo muito com as coisas que o Lula faz , mas nem dá para comparar com o Fernando Henrique

Ah eu faria companha para o Tarso ser presidente em 2010 ou o Jaques Wagner...um primeiro presidente judeu do Brasil!!!

Anónimo dijo...

xii errei

mas tb concordo. o crime ja prescreveu. e se for para caçar as bruxas, entao que façam o mesmo com os que abusaram do poder aqui ou na Italia durante as ditaduras ou caça a comunistas

Aqui todos foram anistiados e agora essa palhaçada em relaçao ao Cessare haja paciencia!

agora quanto ao Tarso e aos judeus no Pt gostei mesmo da carta que eles fizeram em relaçao a carta do Berzoini.

Eles tem de ser atuantes ate para mostrar para nossa comunidade que nem todo esquerdista é burro e por assim anti semita ou ignorante a ponto de vulgarizar conceitos como genocidio e holocausto.

olha, eu nao estou de acordo com o que aconteceu em Gaza, mas tem coisas que somente para quem esta la e que melhor e possivel para poder dizer o que realmente deveria ser feito

E Israel longe de ser a pior naçao do mundo.E uma palhaçada querer demonizar Israel sem antes dar uma olhadinha para os paises ao redor!

Viva a paz, vida o Lula, viva a Israel a terra do meu povo, eterna, para sempre Israel!!!

Ju.

beijao ...olha coloca o texto que o Minc escreveu para aquele site do Wurman. legal voce deixar aqui tambem!

saudadinha!

Anónimo dijo...

xii errei

mas tb concordo. o crime ja prescreveu. e se for para caçar as bruxas, entao que façam o mesmo com os que abusaram do poder aqui ou na Italia durante as ditaduras ou caça a comunistas

Aqui todos foram anistiados e agora essa palhaçada em relaçao ao Cessare haja paciencia!

agora quanto ao Tarso e aos judeus no Pt gostei mesmo da carta que eles fizeram em relaçao a carta do Berzoini.

Eles tem de ser atuantes ate para mostrar para nossa comunidade que nem todo esquerdista é burro e por assim anti semita ou ignorante a ponto de vulgarizar conceitos como genocidio e holocausto.

olha, eu nao estou de acordo com o que aconteceu em Gaza, mas tem coisas que somente para quem esta la e que melhor e possivel para poder dizer o que realmente deveria ser feito

E Israel longe de ser a pior naçao do mundo.E uma palhaçada querer demonizar Israel sem antes dar uma olhadinha para os paises ao redor!

Viva a paz, vida o Lula, viva a Israel a terra do meu povo, eterna, para sempre Israel!!!

Ju.

beijao ...olha coloca o texto que o Minc escreveu para aquele site do Wurman. legal voce deixar aqui tambem!

saudadinha!

Neemiah Itzaac dijo...

Ja postei a nota do Minc.Abração.

Anónimo dijo...

"Agora o Brasil é quem deveria se recusar de jogar com aItália", pois a Itália está "aprovando atualmente um projeto de lei racista sobre segurança, que institui, por exemplo, que umcidadão brasileiro sem permissão
de residência na Itália não poderá mais ir a um hospital sem serdenunciado", afirmou a associação italiana Antigone, que luta pelos direitos e garantias nosistema penal, declarou apoiar adecisão do governo brasileiro de conceder refúgio político ao ex-militanteCesare Battisti, condenado à prisão
perpétua na Itália por quatro assassinatos cometidos na década de 1970.

Segundo o presidente da instituição, Patrizio Gonella, a Itália ficoufamosa no exterior por uma legislaçãode emergência imposta durante os anos de chumbo [de 1968 ao início da década
de 1980]. "As penas durante os anos de chumbo eram desproporcionais", afirmou.

"Além disso, existe na Itália um regime de cárcere duro para osmafiosos e terroristas, que o juiz federal[norte-americano] D.D Sitgraves considera ultrapassar os limites da
tortura", disse o presidente da Antigone. Gonella também comentou a proposta de alguns políticos italianos de anularo amistoso entre as seleções
da Itália e do Brasil, programado para 10 de fevereiro, em repúdio à decisãobrasileira.

"Agora o Brasil é quem deveria se recusar de jogar com a Itália",pois o país está "aprovando atualmente um
projeto de lei racista sobre segurança, que institui, por exemplo, que umcidadão brasileiro sem permissão deresidência na Itália não poderá mais ir a um hospital sem serdenunciado", afirmou..

Cesare Battisti era militante do grupo PAC (Proletários Armados pelo
Comunismo) e recebeu o status de refugiado político no último dia 13 pelo ministro da Justiça brasileiro,Tarso Genro, que alegou existir um"fundado temor de perseguição política" contra o italiano caso ele
seja extraditado.

Neemiah Itzaac dijo...

Aproveito então e complemento a informação. Infelizmente fácil vermos aqueles que são contra tortura,ditaduras, a não democracia , o abuso politico e fascismos, tão fáceis nem pensarem sobre a questão.Vem com um moralismo chongas e desejam a expulsão do mesmo.


Será por que ele é um militante da esquerda?

Fascistas italianos e mídia brasileira mentem sobre Batistti -

A grande imprensa brasileira fala sobre o "terrorista" Cesare Batistti como se as acusações fossem referentes a fatos de hoje. Os supostos crimes atribuídos ao escritor Cesare Batistti datam de 30 a 35 anos atrás.

Tudo isso é uma grande piada de mau gosto, de extremo mau gosto. Por que Battisti é terrorista e Fernando Gabeira, que sequestrou o embaixador dos Estados Unidos não é?

Leiam as declarações de Giuseppe Cocco dadas ao Estadão. Eu acredito no italiano Giuseppe Cocco.

''Governo seguiu a jurisprudência do STF'' é a manchete do O Estado de São Paulo

"Há 14 anos no Brasil, o italiano Giuseppe Cocco, doutor em história social pela "Universidade Paris I e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, aplaudiu a concessão do refúgio político a Cesare Battisti.

A seguir, trechos de entrevista concedida por telefone:

O Brasil agiu corretamente ao conceder o refúgio político a Battisti?

O governo brasileiro fez bem, na medida em que confirmou a jurisprudência do STF em relação a outros italianos (ligados à luta armada). Battisti foi condenado à revelia, então não teve direito a ampla defesa.

A decisão brasileira é técnica e, ao mesmo tempo, tem a dimensão do reconhecimento político de que Battisti fez parte de um movimento nos anos 70 e que a repressão daquele movimento passou por uma dinâmica específica, com leis especiais.

A grande imprensa se refere ao terrorista Battisti como se tivesse agido ontem, mas estamos falando de coisas acontecidas entre 30 e 40 anos atrás.

O ministro Tarso Genro tem razão ao dizer que a imprensa teve comportamento diferente quando ele propôs a rediscussão da punição aos torturadores. Aí disseram que era coisa do passado.

Como o sr. vê a reação da Itália?

O governo italiano e o conjunto da classe política estão protestando com uma dupla postura. Eles nunca convocaram seu embaixador em Paris quando a França deu abrigo não a um ou dois, mas a centenas de italianos. Com o Brasil a atitude é neocolonial.

Segundo, quando falam das vítimas, por um lado têm razão: é um período triste, duro, e as famílias não entendem a posição brasileira. Mas os mesmos que falam da dor das vítimas não veem problema no fato de que leis da própria Itália premiaram um monte de assassinos, que circulam livremente no país, com períodos curtíssimos de prisão.Tarso Genro tem sido criticado por colocar em questão o sistema judicial italiano...

Ele é acusado de ter tomado uma decisão política, mas seguiu o que o STF já tinha decidido sobre isso. Um dos críticos do ministro foi o governador Serra, que se mostrou escandalizado com Battisti, mas na última eleição apoiou Fernando Gabeira, que sequestrou um embaixador americano, mas não é considerado terrorista.