11 feb. 2008

Casimiro (algum verso)

As ruas estão secas
A poeira agora da lama
Casimiro

Passou um turbilhão em nossas vidas
Abraçando recém chegados
Anfitriã após o veranico
Os foguetes estouravam
E a festa na praça
Da noite, tornou o silencio cotidiano
Em linha reta o rio não quis tomar a curva

As ruas estão secas
Os restos
As casinhas
As telhas
Úmidas
Como as pálpebras dos órfãos
Dos velhos que viram a vida levar tudo
Guiados pela inesperada onda

Casimiro
E as frondosas árvores próximo da capela
Caíram cansadas juntos ao ídolo
Nos pastos vergados pela chuva
O boi manso segue no que resta de capina
Poderia ter acontecido em qualquer lugar comum
Poderia ter acontecido
Em algum lugar ,o dos esquecidos
Aconteceu em Casimiro

Existiu lugar algum para ser feliz no mundo
Se na Galut, exilio,permaneces e apenas consigo?

Dei-me inteiro.
Os outros fazem o mundo (ou crêem que fazem).
Eu sento-me na cancela, sem nada de meu

Veio a chuva a terra a agua levou
meu chao meu canto de esperança
minha montanha que desmoronou

Sem conquistar um mundo
Sem um lugar que desegoisticamente não quero que seja só meu
E assim tenho um sorriso triste e uma gota
de ternura branda no olhar.

Esperei, esperei.
Dei-me inteiro.
Casimiro

Não ,apenas um coração recusado que sobra -me agora
em meio a este mato alquebrado
Junto as vísceras e um corpo.
Com isso vou desejando morrer por que a tempos ja estou indo aos poucos .


Armando Aguiar

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