10 feb. 2009

Sobre a Aula -Filme :"Quanto vale ou é por quilo?"

A análise do filme

Mobilização coletiva é necessário, senão ,sozinhos, facilmente barganharemos o que foi duramente conquistado.Um direito conquistado não se barganha!Ao exemplo do feixe de cana de açúcar- unidos somos fortes!

Turma, como prometido, segue a sinopse do filme que assistimos na aula de ontem.Infelizmente a Tv não nos deixou termina-lo,porém segue o calor do debate suscitado com tantas questões. Bom para continuar a mesma que se dará em nossas aulas de Brasil e por assim tratar de conceitos como colonialismo emancipação e democracia. Desde a demarcação destas terras como extensão do Império d’Além Mar português , com uma independência manca e repetindo vicios do passado colonial, abolição,o republicanismo, voto censitário e de cabresto, estruturação social perante a industrialização e nacionalismo dos anos 30-50, e subtraindo questões referentes aos segmentos marginalizados à esperança de uma real democracia por intermédio da mobilização social. São temas não apenas atinentes ao vestibular, mas comuns a um curso como o nosso ,de caráter identitário e ideológico próprios.

O inicio do filme sob narração de Milton Gonçalves se passa no século XVII, em que um capitão-do-mato captura uma escrava fugitiva, que está grávida e, após entregá-la ao seu dono, a escrava aborta o filho que espera.Uma escrava propriedade de uma ex –escrava, uma alforriada, donde compreendemos a questão do status social a que nos torna repetidores de um ciclico sistema. Podemos associar a questão a varios elementos atuais, as ações de capitães do mato no exercer da justiça, porém também uma justiça inumeras vezes desproporcional porque tem seu peso maior sobre apenas um grupo já inferiorizado.

Há muitos paralelos no filme-documentário. O discurso da participação e da postura politicamente correta, representa a última palavra em matéria de exploração da mão-de-obra barata e da mais valia. Para cumprir essa função, a narrativa vai se valer de dois recortes temporais: o Século XVIII, com o comércio de escravos em expansão, em que o senhor branco dita as leis - a Casa Grande e a Senzala de Gilberto Freire sem o olhar conciliatório deste , e os tempos atuais, apontando para a virulência da exclusão social e uma Nova Ordem Mundial, em que as organizações não-governamentais desempenhariam um papel a princípio complementar ao do Estado, constituindo-se numa alternativa de contra-informação e resistência cultural. Seu discurso analógico coloca o antigo comércio de escravos e a exploração da miséria pelo marketing social como imagens separadas que se articulam em uma montagem para dizer que o que vale é o lucro, não importando se esse é obtido com a venda de um escravo ou através de projetos sociais com orçamento superfaturados.

Por assim quais relaçoes podemos compreender entre o cotidiano nosso e os fatos que se dão no filme? Notem a questão referente a ausencia do Estado , e neste vácuo, a ação destes grupos isolados, mesmo ongs, e formas de poder que instauram suas formas de indução, apropriaçao e criaçao de regras e parametros para liberdade e costumes .e mostra a falência das nossas elites, tão contundente e ao mesmo tempo tão abrangente, envolvendo personagens da periferia, sonhos de uma classe média em descenso e a elite.

E assim a trama se desenvolve a partir de uma cena dos dias atuais em que uma ONG implanta o projeto de inclusão digital em uma comunidade carente. Arminda, que trabalha no projeto, descobre que os computadores comprados foram superfaturados e, por causa disto, precisa agora ser eliminada e Candinho, um jovem desempregado cuja esposa está grávida, torna-se matador de aluguel para conseguir dinheiro para sobreviver.

É curioso esse termo, pois ele trata da união entre uma lei puramente física e um conceito sociológico. A inércia é a conservação de um estado dinâmico de um corpo num sistema. Se algo está num dado estado dinâmico, seja de movimento ou de repouso, ele tende a ficar nesse estado se não houver razão suficiente alguma que o impeça, ou seja, se não houver nada opondo a manutenção, natural, desse estado dinâmico.

“Quanto vale ou é por quilo?” mostra também a condição histórica de corrupção na política brasileira: a “inércia histórica”em paralelo o período histórico brasileiro do fim do século XIX com o Brasil contemporâneo. E o perigo de apenas a critica e ao mesmo tempo a ausência, ou omissão, daqueles que tanto criticam, mas que poderiam tomar parte ativamente afim de mudar o que parece cíclico. Assim como no debate que aconteceu em sala de aula, podemos analisar que entre o período final da escravidão negra brasileira e a atual situação da periferia nas grandes cidades são colocados à vista as grandes mazelas e contradições de um país em constante crise de valores morais. A sociedade é vislumbrada na óptica mercadológica. A relação econômica que contrapõe casa-grande e senzala é análoga a a relação entre a elite econômica e os excluídos do subúrbio.E será apenas pela participação que poderemos contornar isto.

“Mais vale pobres na mão do que pobres roubando” é o um outro slogan do filme. O trabalho de inclusão social praticado pela iniciativa privada é duramente criticado, pois o fim que tal iniciativa, aparentemente, visa sanar, a saber a igualdade social, é barrada pela própria lógica estrutural do sistema. O mercado opera com a pobreza e a exclusão. A grande questão é que a democracia é o sistema político vivido no Brasil porque é o sistema do consumo, aquele que favorece melhor o liberalismo econômico.

A “inércia social” está no filme a retratar que a história brasileira aparentemente não muda, ela está estática, barrada, bloqueada de transformação. Mas que ao mesmo tempo há espaço para transformação a medida que não esperamos estas de outras maõs senão as próprias. A critica que o filme se atém as ONGs demonstra que boa parte das mesmas surgem para preencher a fragilidade do Estado-nação dentro do capitalismo global no âmbito social. Com as benção do governo, de quebra, se locupletam com o dinheiro público, o que só contribui para aumentar a já elevada taxa de criminalidade urbana –vide o seqüestrador presente no filme que tem a mais absoluta consciência do processo de exclusão social . Ele não é um mero sujeito malvado ou uma vitima – ele está dentro do sistema e na parte mais marginalizada do mesmo. Assim como podemos equiparar um Brasil Colônia e o Brasil atual , colocados lado a lado, e alinhavados por propagandas, reportagens e imagens documentais que sugerem, entretanto, que a violência não resulta de uma falha, ou de mera desonestidade, ela é sistêmica.

A justaposição de épocas diferentes, com os mesmos atores e situações, não são as únicas estratégias utilizadas para produzir a noção de um todo. A escrava Arminda e a jovem militante Arminda, encarnadas pela mesma atriz, desfilam pelo filme em cenas oníricas, representando as torturas e os castigos mais comuns infringidos aos escravos que fugiam, como a máscara de flandres.

Em outra cena, crianças negras escolhidas para protagonizar um comercial para a ONG são colocadas com uma canga diante de uma mesa, numa alusão direta à escravidão, que rompe com a noção de épocas em paralelo, construindo uma sincronicidade. A representação da escravidão e do processo de exclusão social se dá mais por seqüências de representações da idéia de escravidão, com todas as associações e sensações de dor trazidas pelas cenas de tortura, do que por uma seqüência narrativa lógica, com personagens estruturados.

Ao transformar a encenação da tortura em um emblema da condição de servidão, o filme transcende seu argumento inicial e a questão da condição do negro na sociedade contemporânea para falar da exclusão social em seu sentido mais amplo. Em outra cena, uma arrogante senhora da elite que possui um delirante programa social nos moldes de “Cinderela por um dia”, inspirado nos programas televisivos do gênero, tal como Criança Esperança, Porta da Esperança, etc , etc. Neste ela explica a uma amiga, as vantagens fiscais de se “investir na beneficência social”, e arremata dizendo que vem tentando levar o marido empresário a se modernizar, mas não consegue.E no final isto por que para boa parte da classe média é interessante a solidariedade não apenas por bondade ,mas desencargo de consciencia, dedução no imposto de renda ou quem sabe, uma boa lavagem de dinheiro via insituiçoes muitas ás expensas do próprio Estado. Ao final, a senhorinha ainda posa literalmente para uma foto ladeada por seus jovens protegidos, que ela costuma levar a passeios em hotéis de luxo.É a perfeita nova fi(pi)lantropia a qual o célebre mulato Lima Barreto no inicio do séc XX tanto já criticava.

Aqui espero a continuação da discussão aos que tiverem disponibilidade!

Abraços a todos.

A. Da Equipe de Historia.

2 comentarios:

Anónimo dijo...

pena que a tv deu pau mas o filme e maneiro! se puder podia manter a cordenaçao fazer uma copia p quem quiser assistir em casa

Anónimo dijo...

px tem razao

mas tem de exbir mais filmes ate pq ajuda e muito p as aulas
o problema e o calor fica abafado demais

o filme começa bem, tem um meio meio devagar e quando px tava na expectativa daquele cara sair da cadeia e como vc acabu dizendo, fzendo um sequestro...puf a tv acabou c tudo

a discussao foi boa tb. pena q tem gente q nao parece se tocar..temos de manter o conjunto pq todos temos vidas maios ou menos iguais