13 jul. 2007

O lamento por um aniversário

Maldito seja este dia
O dia que as coisas acontecem como se cada instante fosse toda a vida
Como num cassino de sentimentos
deixa-se em jogo o todo pouco que tinha

Um dia para se ser infeliz.Um dia
13 ou 14
Ou como tem sido os dias .

E toda palavra
perdeu qualquer sentido
uma vez desta boca tendo sido dita...

Se fosse outro teria maior sentido?
Se fosse outro, fronteiras não teriam sido estabelecidas.

Como disse Jób
O profeta bíblico da lei de Murphy
Tão logo estará tudo tão sereno, por que o pior ainda é o que virá e será possivel...

"Maldito seja o dia em que nasci

aquele no qual desgarrei-me das entranhas do ventre materno para vir ao mundo
E Maldito aquele que naquele momento anunciou:
Eis que vem ao mundo um menino"

Por que não reviraram as entranhas e não sufocaram me enquanto criança?
E assim não visse a vida
Tivesse tornado o dia em Trevas para não ter o Sol conhecido

Ou a maré vermelha, suja de sangue ,inundasse e sufocasse quando ainda tão puro...

Quiçá infeliz por um dia
Apenas um dia.
Apenas um dia para declarar seu amor da pior maneira possivel
Um dia para o que se entrava na garganta ,sufocar e em nada ser expressivo
Um dia para que as juras e a declaração amargurasse
e assim morresse melhor calado que incompreendido

Um dia para se descobrir que se é ludibriado pelo próprio sangue
um dia apenas
Mas não este. Ou melhor não seria

Carregar esta maldição na alma, no sangue

Vendo os ideais em que se acredita tão fúteis, liquidos, imaginativos
Os amigos tão voluveis ,frios ou cada qual em seu destino

Apenas um dia
tinha de ser neste dia
Não há dor
não há doença
Senão o mal que atormenta a alma

a doença que apetece nunca
a dor a qual já se acostuma
e o tempo
este solidário consigo, consumindo os dias
Se faltam quarenta e um meses ainda...

Falta de mãe
de ombro
de abrigo
ou apenas de fuga

Não .
Acostuma se já

Tanto tanto tempo sozinho
Falta de tudo
Falta de animo
Falta de sonho
Uma razão luzindo ao fundo
E vê
E a verdade é que não há caminho

Apenas um dia
tinha de ser hoje
pela manhã, começando bem cedo
Um golpe de Estado, uma tentiva de insurreição,mas o que se tem é um tiro que sai pela culatra
No pé
nas mãos
ou apenas simbolizado pela dor que ressurge
enquanto se é abraçado pelo vazio

uma guerra sem causa
uma morte sem nome
uma vida sem sentido
uma bandeira ilusória
um oficio tão lúdico
uma raça sem futuro
um futuro rompido
uma salvação que não existe
um amor sem ser correspondido
sem lugar para exilio e cerrar -se em sono e findar seu percurso...

Maldito seja este dia
Senão todos destes longos anos
e não há porta
e não há abrigo
não
não há saída
e não há cama ou leito para que se possa chorar e fugir do mundo

por que o mundo permanece lá fora
e o maior mal está ainda no peito ,consigo

e não há remedio para esta dor
não há o que se possa deixar
não nem mesmo há no que possa tempo voltar e perdoar

Da mesma forma que não há formula
não há saida
não há nada senão a si mesmo
apenas consigo
apenas consigo e isto é o que causa maior agonia

poderia nada ser dito...bastava apertar o peito que a dor era possivel
de suportar e assim de morrer calado, deixando as poucas ,mas melhores lembranças como ditas

Maldito seja este dia
no qual sequer as palavras foram comprendidas , do outro lado apenas silencio, pausa, receio e apatia

Não
Não
Mas o que esperava?
Choro, saudade, esperança e também algum sonho conjunto?

Não
Não nada mais que apenas silencio.Mas cabe muito agradecer por ter sido ouvido
cada palavra que saía .
Ccada palavra doída e rasgando o peito e a garganta
Mas tão mal ditas que foram ouvidas tão poucas e efemeramente.

Um amor não correspondido
Um amor não ouvido
Mas tinha de ser junto a este dia
Mais outro
onde descobre cada vez mais o mundo
envelhecendo num lugar estranho, impossivel para a vida.

Roubado,miserabilizado, tornado diminuto.
Agora nem mesmo sonho,
nem mesmo uma fagulha
pra que esperança?
pra que teimosia?

*E agora José? diria o saudoso Drummond de Andrade

E agora, José?A festa acabou,a luz apagou,o povo sumiu,a noite esfriou,e agora, José?
E agora, Você?Você que é sem nome,que zomba dos outros,Você que faz versos,que ama, protesta?
E agora, José? Está sem mulher,está sem discurso,está sem carinho,já não pode beber,já não pode fumar,cuspir já não pode,a noite esfriou,o dia não veio,o bonde não veio,o riso não veio,não veio a utopiae tudo acaboue tudo fugiue tudo mofou,e agora, José?
E agora, José?sua doce palavra,seu instante de febre,sua gula e jejum,sua biblioteca,sua lavra de ouro,seu terno de vidro,sua incoerência,seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão quer abrir a porta,não existe porta;quer morrer no mar,mas o mar secou;quer ir para Minas,Minas não há mais.
José, e agora?-

É o que me pergunto a cada dia. E agora?

José? José?
Se você gritasse,se você gemesse,se você tocasse,a valsa vienense,se você dormisse,se você cansasse,se você morresse....

-Ah se você morresse!

Mas você não morre,você é duro, José!

Por que você não morre José?
E deixa a casa, por que a casa não é sua,deixa o lugar por que nem mesmo neste tens nome, por que não deixa a si mesmo, libertando-se de si e deste mundo?
Não há mais motivos para nada José, não te vêem ,nem escutam ou não sabes falar...ah José, nem mesmo na música, nos versos..em nada José?
nenhuma lembrança?nenhum abraço, nem mesmo saudade deixada José?

Ah José, não há mesmo mais jeito...
nem mesmo mais há interesse em ser visto.
Andando no escuro esperando o quê José?Esperançando uma coisa última,mas que coisa José? Se a esperança acabou e o tempo se encerrou neste seu pobre discurso...

José ,por que você não morre? E deixa esta teogonia, deixa sua crença, deixa aquela terra distante , deixa seu D-us, deixa a falta de par, deixa as dividas, deixa seu partido,por que,por que não há mais lutas.

São outros tempos José!
Mas
por que José? por que ainda insiste?
Sem choro, sem boas palavras e apenas este silêncio.Sem sonhos José?


Sozinho no escuro qual bicho-do-mato,sem teogonia,sem parede nua para se encostar,sem cavalo preto que fuja do galope,você marcha, José! José, para onde?

Para onde?
Qual o caminho?
Viver sem sonhos não é viver José.
Pra que insistir José?
Desista José.

A. 13-14/07/2007


Cansado, vejo a vida passar

Meu lugar ao sol, já cansei de esperar
O tempo, faz promessas
e eu vou
Ando a toa eu sei
pois me falta você

Por que, todo mundo precisa de alguém?
E eu preciso é de você.
Para comigo andar e para me entender
Eu preciso é de você
Pra continuar
e tentar não me perder

Entenda, é preciso saber
Sem motivação, é difícil viver
A vida me ensinou a querer
Um motivo só e eu vou lhe dizer

Por que, todo mundo precisa de alguém?
E eu preciso é de você.
Para comigo andar
e para me entender
Eu preciso é de você
Pra continuar
e tentar não me perder

Por que, todo mundo precisa de alguém?
E eu preciso é de você.
Para comigo andar
e para me entender

Eu preciso é de você
Pra continuar
e tentar não me perder ...

"Quando eu te escolhi
Prá morar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais ..."
A Maçã -Raul Seixas

(adaptado)
O que você me pede eu não posso fazer

Assim você me perde, eu perco você(como posso tentar esquecer de você?)
Como um barco perde o rumo
Como uma árvore no outono perde a cor

O que você não pode eu não vou te pedir
(Mas por que nunca inventou de sonhar?)
O que você não quer eu não quero insistir
diga a verdade, doa a quem doer
(Não significo mesmo nada, nada a você)
Doe sangue e me dê atenção

Todos os dias eu venho ao mesmo lugar
às vezes fica longe, difícil de encontrar
Mas, quando o neon é bom
Toda noite é noite de luar

Toda vez que aqui falta luz
(é só seguir o seu luar)
Toda vez que algo nos faltar
Em um salto no escuro
O invisível nos salta aos olhos

O fogo ilumina muito,por muito pouco tempo,
em muito pouco tempo o fogo apaga tudo
Toda vez que falta luz,o invisível nos salta aos olhos

Tempos à noite eu conheci uma guria
já era tarde, pensei que já não mais a veria outro dia
Era o princípio
de um precipício
Era o meu corpo que caia

Ontem a noite, a noite tava fria
tudo queimava, nada aquecia
Ela apareceu, parecia tão sozinha
Parecia que era minha ,era minha
Aquela solidão

Tempos à noite eu conheci uma guria que eu já conhecia
Ela apareceu, parecia tão sozinha
parecia que era minha
apenas aquela solidão

No início
eu uma vez mais vivia
Mas levava me a ela
E a um precipício
Era meu corpo que caia

Foi tão difícil acreditar que eu ainda vivia mais outros dias
Depois viver virou um vício
Ela aparecia, parecia tão sozinha


Parecia que era minha que era minha
Mas
O resta é esta solidão...

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