20 nov. 2007

Dia da Consciencia Negra e Lutas Sociais

-Dando protagonismo aos que protagonizaram também a nossa Historia.

.Será amanhã, a partir das 9:30 da manhã dia 21 de novembro na Rua Dom Manuel s/n, Centro da Cidade, atrás do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro com faixas, cartazes e panfletos promovendo uma pacífica manifestação para chamar a atenção do poder judiciário e da sociedade para a gravidade da proibição do prefeito Sr Cesar Maia (do DEM) feita aos Prés Vestibulares Comunitários numa clara ação discriminatória em que o mesmo viola a Lei Organica do municipio ao nos proibir o uso das salas de aulas ociosas de escolas municipais e assim atinge diretamente milhares de jovens de origem pobre e negra de nossa cidade.Inumeros prés comunitarios tem encontrado dificuldades para existirem.Há os que recorreram a solidariedade de igrejas para obtenção de espaço para as aulas.Outros simplesmente não puderam mais existir!

Como frisa o professor Robson Campos o qual está dentre os fundadores da Central Prés Comunitarios de Jacarepaguá, esse projeto é de interesse de toda a sociedade, uma vez que o mesmo , a uma década ,tira jovens da pobreza e da exclusão social e os coloca na universidade. Aliás, é exatamente por isso que o Ministério Público acatou a nossa denúncia: Por entender que se trata de uma lesão de tutela coletiva. Em outras palavras: Esse projeto é de interesse do bem comum. E logo após o 20 de Novembro- dia da Consciência Negra. Por que?

Por que o PVNC atua diretamente na omissão do Estado durante décadas.E tal data além de marcar o momento em que a causa estará sendo impetrada ao Ministerio Publico para que juizes e desembargadores decidirem na ,estaremos juntos na luta pela Inclusão. O proprio movimento surge como respostas as mazelas existentes na Educação e bem como na então falta de espaço para a inclusão de aulas sobre a cultura negra e cidadania a jovens . Claro que quanto as melhorias no sistema de ensino neste governo existem e a dura penas, mas cabe ressaltar conquistas advindas de longo processo de mobilizaçao de movimentos identitarios e proletarios como neste exemplo o PVNC . Não especificamente no que se refere as deficiencias no ensino seja algo que devemos creditar a este governo,mas aqui ,convem repetir ,trata-se das décadas de exclusão.Desde a ditadura quando o ensino de base foi sendo desmantelado em benesse do tecnicismo e ao longo dos anos 90 com o neoliberalismo implacavelemente mercantilizando e sectarizando quanto mais o ensino em detrimento do ensino publico.Exclusão sem exageros de séculos, se tratarmos da população negra e parda ,incluindo a esta tambem a massa de brancos pobres.E este movimento social ,o PVNC atua sem assistencialismos. É a ação social apartidária em que o individuo não é mero assistenciado.Ele se torna co-autor de sua emancipação. O PVNC é coletividade.Atraves de um projeto inovador, as aulas de cultura e cidadania objetiva se a auto consciencia e libertaçao das amarras do assistencialismo, do paternalismo e da falsa aceitação da sociedade capitalista pela meritocracia.

Agora cabe nos a pergunta :Por que um dia da Consciência Negra.

Vamos nos ater a um simples dado: vivemos em uma nação que tem mais de 50% da sua população negra ou dita afro descendente, onde a grande maioria desta população se situa nos setores excluídos e marginalizados da sociedade brasileira junto aos outros pobres mestiços e brancos.

Mas o que é então o dia da consciência negra? Qual o papel , e por que o dia de Zumbi e da Consciência Negra? Por que vidas marranas trataria disto?Mais uma luta de exclusão.Aqui porém não fala-se de pertencimento,por que já se pertence e por isto volteia se tanto uns e outros no mito da democracia racial que há no pais. Compreendo como uma simbologia da luta do negro no Brasil e da luta da libertação do negro no Brasil, numa história que é muito mais que baseada na condição de escravos. E Esta polêmica em não aceitar é resultado e prova do processo histórico da sociedade. Pensemos: seria justo temos dia e feriado dos descendentes dos italianos, dos judeus e outros no Brasil? Talvez sim. Mas estes ,vamos raciocinar, eu cito meu caso, são minoria dentro de uma população de 180 milhões de habitantes!!! Haja vista cerca de 90 milhões de afrodescendentes!!!

Tão logo, um dia da consciência negra surge como processo de auto afirmação e valorização, atenção a culturas e importância dos vários grupos étnicos negros que também construíram esta nação .Não é nada absurdo. Não podemos nos furtar a manter um silêncio desde que a nação foi cimentada.A partir de quando que valorizamos os hábitos e dos europeus: desde a colonização como elementos de dominação ,começado pelos lusitanos. E assimetricamente a cultura da população negra.Onde era valorizada? Hã? Sempre secundarizada, ainda que sendo, em diferentes momentos, maioria ou metade da população e por si muito intrínseca ao que somos hoje neste cadinho cultural e de povo. Daí ter um dia que simbolize o negro. E tal data , sim, pode ser lida no sentido de superar a diferenciação social.Um símbolo,um marco em uma sociedade que pretende se democrática e inclusiva ,mas que na sua prática perpetua a exclusão ocultando-a, até mesmo sob o mito do convívio e democracia racial Gilberto freiriana

E assim, eu colocaria, inclusive, que você ter um Dia do Negro no Brasil, ou o Dia da Mulher - você não tem o Dia do Homem-é muito importante. O cotidiano do negro é muito presente, sobretudo naquilo o que faz acontecer o processo de produção, o trabalho todo de produção dos bens. E, ao mesmo tempo, ele está cada vez mais distante do uso dos bens, da aquisição e do acesso. Então, não precisa do Dia do Branco, nem do Dia do Homem porque são setores que estão trabalhando num processo de dominação tão grande, que para que comemorar o seu dia, se todos os dias já são seus?Mas o dia do negro, da mulher, dos direitos a minorias (no sentido de sob loquo direito e acesso ao ‘bem estar social’) muitas vezes marginalizadas da sociedade , repito, não é absurdo

E Zumbi? Por que?Risível como muitos ainda sentem se incomodados com o mesmo?Numa terra de heróis míticos, quase sempre brancos, grandiosos em seus feitos,alias, em uma sociedade da Historia contada pelo vencedor, nos é hoje necessário,pela luta e reivindicações sociais e na própria acadêmica por uma outra forma de se escrever e fazer Historia - que privilegie a historia do silencio.E preciso quebrar o status quo de nossa sociedade se queiramos de fato que esta seja nossa e não apenas de alguns com regras bem ditadas por estes.Bem, resta repetir que também que uma vez metade do país tem suas origens afro descendentes, os filhos destes até então viam nos livros, na historias, apenas herói brancos e sem muito a ver suas origens.Por que não negros também como atores e personagens atuantes na historia do país, ao invés de apenas restringir lhes o papel na historia como sendo apenas escravos.

E aos que poderiam insistir, que ora , sendo afrodescendentes, mas num país mestiço,Tal data seria absurda ok.Mas então, logo, qual o problema de também miscigenar nossos heróis, dando -lhes as amplos rostos seja isto na mídia ,na História, nos protagonismos de muitos acontecimentos? Se não aparecem, não o é por que a população negra apenas se restringiu a condição de submissão. Pelo contrario. Zumbi demonstra isto . Mas não apenas ele. O que há é um esquecimento da memória! Isto, sim!Ao analisarmos a História, encontramos inúmeros exemplos de resistência. Exemplos. a Revolta dos Malês.Ou a dos Alfaites na Bahia .Outro? Movimento negro em Sampa dos anos 30. Relações de dom e contra dom e reivindicação de reivindicar alteridade e pertencimento se manifestam na Historia de luta deste grupo,perfazendo assim também a Historia desta nação composta de brancos, negros ,mestiços e índios. Não faltarão elementos para observamos uma Historia nacional de anônimos brancos pobres e negros ,mulheres,e o que denomina(va)-se como a ‘arraia miúda’ frente a ‘boa sociedade’.

Se Zumbi vive? Ele esta em nossa Historia. Dia 20 não é apenas uma data .É tornado um marco , pois dentro da desigualdade enfrentada isto se faz necessário.É a busca por respeito a uma alteridade frente a farsa deste multiculturalismo que pretende-se justo,mas cego,sem repensar a dramaticidade do capitalismo que torna a diferença desigualdade.

Armando Aguiar.
PT Saudações.
Shalom.

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