6 feb. 2007

Poema "Coração Marrano"


Coração Marrano

O sol, entre nuvens ilumina.
Mas seu brilho a penumbra esconde sua própria faceta.
E as horas seguem
E a dor não passa.

Sou o único que vê estes olhos vazios?
Se cego sou ao seu luar
surdo
E agora emudeço
Calado pelo silencio daquela

Dá me acolhida
Dá me acolhida
Pois agora fostes meu pedaço de céu ,ò Anjo
(meu Leste fez- se no Oeste.
A Cidade Dourada ,para sempre eterna em minha alma ,
mas em meu peito esta terra
que parecia livre sem fronteiras hesitantes)

Sol
Anjo
Estrela que apareceu
E uma vez deixando-me,
Se vai, para brilhar ainda mais de mim distante

Tal brilho
Não poderias vencer minhas nuvens tão densas?
(Calei- te acaso o riso?
Meu sem tempero logrou-te a paciência?
Sustei-te o desejo?)

Estrela fugídia...
Agora se fez efêmera
Para só deixar-me ao vazio, enquanto declino ao leito.

Por que tão poucas palavras?
E por que tinhas de responder logo a aquele?
Se bem sabes o que sei
E que assim ambos, procuram.

E eu estou fora...
Você deixou-me aqui
Atravessando as horas

Noites que me guiam ao vazio
Solidão que me tem alento,
Vinde a mim uma vez mais a aquecer o meu peito...


Não sou mais à ti necessário
Eu não quis acreditar
Mas por ser apenas comum
Por me revelar
Por dizer a verdade... Eu não podia te acreditado
Que assim senão fosses efêmera, me aceitarias

Ah,
Atravessando as horas desertas
Alma que insiste quando seu tempo já fora pedido

Eu não fui necessário
Apenas fui uma rota página em um casual momento
E nada além disto...

Agora você passa sem notar o meu nome
Com suas palavras apenas irônicas
Brincando assim, fingindo não perceber meus sentimentos...

Você passa
E por que a ele você não disfarça?
Eu sei...
Às escondidas
Como conversávamos
Agora deixou-me para trás
Não quis acreditar e sonhar
Nem mesmo esperou aí a minha presença

A tantos tem ignorado
Mas a ele por que segues?
Segues teu coração
é este teu rumo?
Inventando uma paixão para o cicatrizar um passado
Enquanto só um pouco podia ter sonhado
Só um pouco
e ter me esperado...

Ah, vida

Eu não sou mais necessário a sua presença
Alma ,alma
E Pergunto
Por que insisto?por que insisto?
(por que ainda esperanço?
Crendo no meu Anjo guia?)

Quando então deveria partir,
Apenas assim sem rumo
Ao nada sem mudar um seixo no mundo...

Você desculpou-se pela distância
Mas...
Você não é mais a mesma

Deste modo tão ríspido
Este riso lindo agora a mim flácido-frio
Você apenas quer ser gentil
Mas seu desdém rompe esta fingida ternura

Você não quis magoar
Mas
Também não quis enxergar
Nem mesmo dar uma chance
A mim, a quem você dizia ser o teu também anjo

Você não quis magoar
Mas não quis parar para sonhar
E acreditar que seríamos juntos felizes

Eu moveria o mundo
Mesmo sem asas
Até aos seus pés eu chegaria
Apenas este coração
Que agora aos pedaços se desmancha

Deixe-me ao vazio

Meus olhos voltaram ao nada
Você tomou-me a liberdade de minguar
O fôlego que você me deu
Prolongou-me a vida

E por isto
Sofrendo até ao pó voltar
E por que,
Por uma só vez que escutasses a mim
que assim morro a cada dia em sua espera

Eu já teria partido
Você que me fez insistir, mas...
Para que só para assim ficar?

Eu sonhei quando não poderia ter ilusões tido
Sou eu o ingênuo demais
Acreditando numa falsa esperança
Por que no fundo eu ainda queria uma vez mais tentar

Eu já teria partido
Você tomou-me a liberdade de minguar
O fôlego que você me deu
Prolongou-me a vida
Por um instante fazendo me acreditar
Que mesmo sem asas poderia
mover um mundo só para te alcançar...


O cancioneiro marrano tem em sua labuta o fardo de ser deveras peregrino
Procura um pouso, mas tem suas duvidas do quanto será bem recebido. E todavia seu olhar sempre a cada manhã e a cada noite se volta em uma só direção,lá onde sua alma se encontra s distante.

O lugar de sua esperança esta a Leste, na Terra Prometida, mas deveras inalcançável cabível apenas na esperança de um dia em HaOlan HaEmet, no mundo da verdade lá pousar. Então como todos os homens, almeja e pretende ser feliz ainda que nestes ermos. Mas encontra-se uma vez mais em seu dilema: sua condição é quase hibrida. Pertence ser estar pertencendo. E sua continuação depende de uma série de questões que só indagam no do quanto será mesmo isto possível. Tão logo, como assim seus passos, procura uma sombra , um aconchego que alivie sua alma. Ao coração procura dar alento para que não sucumba também a alma. E então do ocidente , com a alma no Leste, na Terra das primícias, ele pensa no Oeste remoto e que lhe parecia ser possível. Mas é difícil encontrar abrigo.

E assim ele divaga, em sua andança, peregrino de carne e espírito. Seus sentimentos também marcados pela psique de eterno andarilho, sem poder ter a sorte de encontrar acolhida “(...)Nos enganamos o tempo todo só para acreditarmos que podemos ser felizes.Mas a verdade se passa ,por onde quer ocultar-se aos nossos olhos,mas ainda assim , é possível percebe-la.E tão fácil deduzir ,mas difícil compreender, que sentimentos jamais serão recíprocos. A saudade não é a mesma. O riso,a fala , o desejo expressos num olhar levam a crer que o que se quis não é o que se pode alcançar.

As necessidades não são as mesmas. E Nem toda palavra é verdadeira. O foi um dia talvez por um casuísmo,por uma circunstancia que tornei, possibilitado por algum tempo,em um nome, pois ainda a pouco sequer mais rosto tive lembrado.Sequer utilidade em mim foi confiada e assim da Terra do Sol, o Oeste, vem me a Aurora,mas a luz que guia- me também leva-me ao desatino constante(...) ”.

Minha Jerusalém está ao Leste sempre onde paira meu espírito.E o peito ao Oeste donde nascera um brilho,mas que agora finda-se para vigorar apenas o meu Ocaso.

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